“Tudo é caos; não consigo me adaptar. A rotina é sufocante, estarrece meus músculos e me deixa sem ar. Nada me prende, nem me satisfaz, a ponto de a ansiedade em me descobrir me paralisar no turbilhão de possibilidades. Faço um café, tento organizar meus pensamentos, mas tudo é incerto. Se sinto-me assim, infinita, o que diabos ata minhas mãos, enlaça meus pés e não me deixa ir? As vozes ecoam em minha mente, me fazem querer gritar, gritos que ensurdeceriam e enlouqueceriam qualquer alma padrão. Minhas mãos suam, minha cabeça dói, o vazio no peito me corrói; falta coragem para assimilar as ideias e não pensar tanto nas consequências. Quero bem mais do que conheço, mais do que minha existência me fez conhecer, poder quebrar as algemas e sair dessa pressão de temor e dependência. Meu corpo é pequeno, mas minha sede de infinito queima. Nada que é comum me toca; tenho aversão à futilidades. Sou do avesso e é o contraditório que me fortalece.”
Isabella Ribeiro
